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Terça-feira, 28 de Julho de 1970

Cantam na Catedral, Homem de Palavra[s]

 

Cantam na catedral ao fim do dia
Sou uma posição ameaçada
E nada nos meus gestos concilia
o fim do dia com a madrugada
 
Esta chávena faz-me companhia
Um café pode ser a solução
Ó vida ora cheia ora vazia
Só falta agora o sol banhar-me a mão
 
Mas vem o vento anavalhar as ruas
e confundir de folhas nossos pés
Agora mesmo sobre a mesa as tuas
mãos e tenho de perguntar quem és
 
Dezembro dizes. Por não outubro
ó schelling o dos quaresmais?
1512? Quase o dobro
Torremolinos não. Um pouco mais
 
É roma é meio-dia é um bocado
A vida acaba a vida principia
Reconheces o lixo assim esmagado
por uma aprovadora maioria?
 
Mas cantam e o meu rosto permanece
e levam-se mais longe os comprimidos
Uma criança diz que me conhece
Os dias começam a ser compridos
 
 

"Cantam na Catedral", Inverno, in Homem de Palavra[s]

nescritas às 14:39

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