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Quarta-feira, 22 de Julho de 1970

Através da chuva e da névoa, Homem de Palavra[s]

 

Chovia e vi-te entrar no mar
longe de aqui há muito tempo já
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Mais tarde olhei-te e nem te conhecia
Agora aqui relembro e pergunto:
Qual a realidade de tudo isto?
Afinal onde é que as coisas continuam
e como continuam se é que continuam?
Apenas deixarei atrás de mim tubos de comprimidos
a casa povoada o nome no registo
uma menção no livro das primeiras letras?
Chovia e vi-te entrar no mar
ò meu amor o teu olhar
o meu olhar e o teu amor
Que importa que algures continues?
Tudo morreu: tu eu esse tempo esse lugar
Que posso eu fazer por tudo isso agora
talvez apenas dizer
chovia e vi-te entrar no mar
E aceitar a irremediável morte para tudo e todos
 
 
"Através da chuva e da névoa", Verão, in Homem de Palavra[s]
nescritas às 14:47

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