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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 1970

Excerto II, A Margem da Alegria

 

(...) O mistério dos mares tenebrosos tem ali silêncios rasos
navegantes de pé entre o dossel do céu e a cama da maré
jazem serenos hoje nessa lousa onde o tempo apenas pousa
e só com a minha lâmina de aço língua de toledo os ameaço
no túmulo deitada inês parece a própria placidez
ela que em vida ouvindo alguém chamar
julgava respirar esse cheiro envolvente português
dos laranjais e jamais a nave donde nunca mais
havia de sair não já para criança inaugurar
o dia a dia o vasto espaço onde cada folha
dos plátanos e até canas e oliveiras
valem humildemente mais do que a melhor palavra minha(...)
 
 
 Excerto II de, A Margem da Alegria
nescritas às 13:14

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  RUY 

BELO
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