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Sábado, 28 de Março de 1970

Excerto de "Nem Sequer Não", Toda a Terra

 

Às vezes sabes duvido até de mim mesmo
um mar de inverno banha os dias de verão
e umas três quando muito palavras inúteis alguns gestos fúteis
segredam-se então que me segregam ou desagregam
Detesto essas vezes o antro que transporto dentro
mas nada encontro digno de intro-
duzir em toda esta vida de nada
esta vida com uma viola e uma viela
e que a toda ela a imola uma mulher bela
uma mulher que não só diz mas que faz
de mim um homem de paz um homem feroz
coisa que pode iludir-se que ilude
e pensa que não tarda há-de vir um vento que tudo mude
Sou aquele que com alicerce não podia constituir-se
que catedral mais nobre nunca descobre
que aquela que se abre às vezes à tarde
quando ele sente febre e tudo o aturde
e lhe falta saber com certeza que existe para saber que está triste
Esse dia é o espaço da ventania
um adro donde a alegria coisa que conhecia
nome que sabia anda arredia
(...)
 
 

Excerto de, "Nem Sequer Não", Areias de Portugal -I, Toda a Terra, in Obra Poética vol2

nescritas às 13:33

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